Em um relacionamento sério com a TV — Gama Revista

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Em um relacionamento sério com a TV

©Divulgação NBC
"The Office" é a série mais assistida da Netflix americana, superando "Friends".

Você ama assistir algo que odeia? Ou odeia assistir algo que ama? Qualquer que seja sua relação com a televisão, listamos as palavras que a definem

Daniel Vila Nova 29 de Abril de 2020

Talvez você esteja vivendo uma história de amor com a sua televisão. Em tempos de pandemia e com a recomendação de que se fique em casa o máximo de tempo possível, séries de TV e dos serviços de streaming funcionam como uma espécie de oásis anti-paranóia, uma cápsula protetora de assuntos como contaminação, mortalidade, derretimento de mercados (quer dizer, isso se o roteiro não tiver nada a ver com um vírus eficiente e mortal).

Além disso, a pandemia oferece uma oportunidade única de botar as séries do momento em dia, um desafio dos tempos atuais uma vez que nunca tantas séries foram produzidas como nos últimos anos – mesmo que passemos mais tempo na Netflix do que em qualquer outra atividade, não conseguimos dar conta de tudo.

Se você entrou numas e não consegue largar a televisão (ou app de streaming), pode estar em um tipo de relacionamento específico. Listamos aqui os possíveis, e prováveis, palavrões que o definem.

A última temporada de “Game Of Thrones” foi duramente criticada por fãs e críticos nas redes sociais. ©Divulgação

Hate-watching

Falar mal das pessoas é ruim, mas tão bom. Entretanto, quando o assunto é entretenimento, assistir a uma série ruim só para falar mal é socialmente aceito. Seja no sofá, nas redes sociais ou nas rodas de amigo, o hate-watching é um evento social onde se consome propositalmente um conteúdo de qualidade duvidosa apenas para fazer críticas e deboches. Uma série que começou bem mas se perdeu no caminho; um programa mal produzido, de baixo orçamento e cafona; ou uma série com um grande potencial que jamais se concretiza; tudo pode virar alvo do hate-watching. Exemplos incluem séries como “The Newsroom”, as últimas temporadas de “Game Of Thrones”, a segunda temporada de “True Detective” e “Vinyl”.


Quebrando todos os recordes de votações mundiais, o BBB 20 foi pautado nas causas sociais e no cancelamento virtual. ©Divulgação

Guilty pleasure

Você sabe que é ruim. Problemático em alguns casos. Mas no escuro da sala e longe da opinião pública, roteiros bem escritos e atuações incríveis dão vez a clichês bobos e dramas desnecessários absolutamente prazerosos. Guilty pleasure, ou prazer culpado em português, é o nome dado ao ato de assistir a uma série ruim e fascinante ao mesmo tempo. Reality shows como “BBB” e “De Férias com o Ex” são os guilty pleasures mais populares no Brasil, mas séries procedurais como “Grey’s Anatomy” e os infinitos “CSI” também são bons exemplos.


Brooklyn Nine Nine foi cancelado pela Fox, mas a paixão dos fãs garantiu a continuidade do programa em outra emissora.

Comfort show

No final de 2018, a Netflix pagou US$ 100 milhões para manter Friends em seu catálogo por mais um ano. Em 2020, a série saiu da Netflix americana e foi para o novo serviço de streaming da Warner. A quantidade de dinheiro gasta para manter uma única série na plataforma pode parecer absurda, mas quando a audiência dessa série é de 32,6 bilhões de visualizações em oito anos, a estratégia da Netflix não parece tão estranha. Comfort show é um termo utilizado na internet para definir aquela série que você já viu mais de uma vez, mas que sempre acha um motivo para ver de novo. Triste? Hora de assistir a “Friends”. Feliz? Hora de assistir a “Friends”. Cansado? Hora de assistir a “Friends”. A familiaridade do programa faz com que continue a ser apelativo, mesmo com mais de 30 anos de idade. Além dos seis amigos do Central Perk, outras séries que são tidas como comfort show são “The Office”, “How I Met Your Mother”, “Brooklyn Nine-Nine” e “Parks and Recreation”.


“How To Get Away With Murder” faz parte do Shondaverse junto com “Grey’s Anatomy” e “Scandal”, séries de Shonda Rhimes.©Divulgação

Binge-watching

Eleita a palavra de 2015 por um tradicional dicionário britânico, binge-watching significa maratonar uma série. O debate sobre a quantidade necessária de episódios para formar uma maratona é extenso, mas há consenso que o termo se tornou parte do léxico mundial graças à Netflix. A empresa adotou como seu diferencial a possibilidade de assistir a todos os episódios de uma série assim que ela é lançada, e por mais que essa tendência esteja enfraquecendo, foi um dos motivos que tornou a Netflix tão bem sucedida. Séries sobre mistérios e assassinatos, como “How To Get Away With Murder”, são ótimas para maratonar – afinal, todos queremos saber quem matou Odete Roitman o mais rápido possível.

Speed watching

Assistir a um vídeo em velocidade dobrada é polêmico. Assistir séries e filmes duas vezes mais rápidos? Um crime, segundo diversos cineastas. Existem aqueles que o fazem, mas no momento, são poucos os aplicativos de séries e filmes que permitem tal mudança. Não estamos aqui para julgar ninguém mas, se você deseja dedicar um bom tempo do seu dia assistindo a alguns episódios, talvez seja melhor assisti-los como eles foram planejados pelos seus criadores.

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