Quanto mais quente melhor — Gama Revista

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Quanto mais quente melhor

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Com cenas explícitas ou temas desconfortáveis, estes filmes polemizaram suas épocas ao falarem de sexo 

Mariana Payno 21 de Maio de 2020

Desde que o primeiro filme não-pornográfico levou aos espectadores uma cena mais quente, em 1933, muita coisa mudou: simulações sutis de sexo no cinema e na televisão não causam mais tanto espanto como quando “Êxtase”, do diretor tcheco Gustav Machatý, chegou às telas. Para que isso acontecesse, no entanto, os cineastas mais ousados tiveram — e continuam tendo — que transpor os limites dos tabus sexuais. Tire as crianças da sala e dê o play nestes filmes que criaram polêmica quando foram lançados.

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1933 • Êxtase

A cena de sexo protagonizada pela atriz Hedy Lamarr pode parecer banal hoje em dia, já que a câmera foca apenas no rosto e nas mãos, mas “Êxtase”, do diretor tcheco Gustav Machatý, causou furor em 1933. O filme foi a primeira produção não-pornográfica a retratar uma relação sexual e o orgasmo feminino.


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1972 • Pink Flamingos

Se “Pink Flamingos” é visto como um filme perturbador hoje, imagine em 1972. Ícone do cinema alternativo, retrata uma competição pelo título de “pessoa mais sórdida do mundo” entre a drag queen Divine (persona pública do ator e cantor Harris Glenn Milstead) e seus vizinhos. Esse enredo rendeu cenas grotescas e consideradas chocantes até hoje, como uma passagem em que Divine faz sexo oral no ator que interpreta seu filho na trama. Não à toa, vários países proibiram a exibição do filme na década de 1970.


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1975 • As aventuras amorosas de um padeiro

Apesar do título, as aventuras amorosas retratadas nesta pornochanchada brasileira dos anos 1970 não são do padeiro, mas de sua amante Rita, uma mulher desiludida com o casamento. Em plena ditadura militar, o diretor Waldir Onofre (um dos primeiros cineastas negros do Brasil, aliás) desafia a moral e os bons costumes ao falar de prazer feminino, divórcio e aborto.


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1976 Império dos Sentidos

A década de 1970 foi mesmo disruptiva quando o assunto é sexo no cinema. E em “Império dos Sentidos”, do diretor japonês Nagisa Ōshima — inspirado em uma história real de um casal que vive uma relação sexual intensa, obsessiva e violenta —, muitos dos takes explícitos não foram simulados, e sim reais. Claro que isso atraiu a atenção do público e dos censores, que em muitos países proibiram a exibição das cenas de sexo.


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1976 • Salò ou 120 dias de Sodoma

Pasolini também deixou sua marca nos filmes transgressores dos anos 1970. Em “Salò ou 120 Dias de Sodoma”, ele adapta o clássico romance erótico de Marquês de Sade para o contexto do fascismo italiano. Com cenas de sexo fortíssimas e violentas, que até hoje impressionam quem assiste, o longa foi classificado como “pornográfico e pregador de violência” e confiscado em alguns países.


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1978 • Calígula

Mais cenas de sexo não simuladas para a conta da década de 1970: “Calígula”, dirigido pelo italiano Tinto Brass, teve os takes explícitos adicionados depois por Giancarlo Liu e Bob Guccione. As orgias mil do imperador romano, interpretado por Malcom McDowell, causaram muita controvérsia, e o filme foi até taxado de “doentio”.


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1980 • Parceiros da Noite

Os anos 1980 chegam com mais polêmica. Em “Parceiros da Noite”, Al Pacino é um policial que se infiltra em clubes de sadomasoquismo gay para perseguir um serial killer em Nova York. Com muitas cenas de sexo entre homens, o longa de Willian Friedkin não agradou nem os conservadores, nem a comunidade gay, que protestou contra a estigmatização negativa.


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1995 • Kids

Nova York também é palco de “Kids”, longa de Larry Clark que deixou muitos pais de cabelo em pé na década de 1990. O filme escandalizou o público mais conservador ao retratar adolescentes em um mundo de sexo (não seguro), drogas e rock n’ roll. Parte da crítica, porém, considera que a obra trouxe conscientização sobre o uso de camisinha para a geração que não viveu o boom da Aids nos anos 1980.


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2003 • Brown Bunny

“Brown Bunny” poderia ser apenas mais uma história do homem abandonado que cura a fossa com breves aventuras amorosas. O filme de Vincent Gallo, no entanto, quebrou limites e ganhou notoriedade no início dos anos 2000, graças a uma cena de sexo oral não simulada, vivida pelo próprio diretor e pela atriz Chloë Sevigny. A “ousadia” de Gallo não passou impune às críticas do movimento feminista, tampouco agradou o publico especializado — o crítico Roger Ebert classificou “Brown Bunny” como “o pior filme da história” do Festival de Cannes.


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2004 • Nove Canções

Sexo e rock dão o tom de “Nove Canções”, filme de Michael Winterbottom que conta a história de um casal que acompanha shows de bandas como The Dandy Warhols e Franz Ferdinand. Já no século 21, o longa causou polêmica ao levar para as salas de cinema mainstream muitas cenas explícitas de penetração.


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2006 • Shortbus

As peripécias de uma terapeuta sexual em busca do próprio orgasmo, retratadas de forma nada discreta em “Shortbus”, quase renderam a Sook-Yin Lee a demissão do seu programa de rádio. Francis Ford Coppola e Yoko Ono estão entre os nomes públicos que vieram em defesa da atriz para que ela não perdesse o emprego como apresentadora por causa das cenas super explícitas do filme.


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2013 • Ninfomaníaca

Quanto mais polêmica melhor para o diretor dinamarquês Las Von Trier, que não economiza nas cenas de sexo explícito em seus filmes — e faz delas protagonistas nos dois volumes de “Ninfomaníaca”. Masoquismo, violência e até pedofilia permeiam a história de Joe, uma viciada em sexo interpretada por Charlotte Gainsbourg. Com cenas desconfortáveis e uma versão sem cortes de mais de cinco horas de duração, o filme chegou censurado a vários países.


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2015 • Love

Uma história de amor disfuncional e muito sexo, com direito a ménages e orgias. Essa é a receita de “Love”, que prometeu não só quebrar tabus nos costumes, mas inovar na técnica: foi o primeiro filme com cenas de sexo explícito produzido especialmente para exibição em 3D. Muitos dos takes não são simulados, o que fez a França, por exemplo, mudar a classificação indicativa do filme de 16 para 18 anos.

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