Fabrício Corsaletti, poeta e escritor brasileiro — Gama Revista
Questionário Proust

Fabrício Corsaletti

Poeta e cronista

18 de Maio de 2020

É autor de mais de 20 livros, entre eles “Roendo Unha” (Pedra Papel Tesoura, 2019) e “Perambule” (Editora 34, 2018). Também é editor e professor, e durante nove anos foi colunista da “Folha de S.Paulo”

  • 1

    Qual é sua ideia de felicidade perfeita?

    Escrever um bom poema e depois ir até a padaria comer pão na chapa.

  • 2

    Qual é o seu maior medo?

    Perder as pessoas que amo.

  • 3

    Que característica mais detesta em você?

    A timidez.

  • 4

    Que característica mais detesta nos outros?

    A mesquinharia.

  • 5

    Que pessoa viva você mais admira?

    Bob Dylan.

  • 6

    Qual é a sua maior extravagância?

    Uma vez, bêbado, com menos de R$ 30 no bolso, entrei num dos melhores restaurantes japoneses de São Paulo e pedi um combinado especial, dois temakis, uma dose de saquê e uma garrafa de cerveja. Comi tudo como se fosse a minha última refeição em liberdade. Saí sem pagar, depois de afundar o boné na cabeça. Lembro que tive a cara de pau de dizer um boa noite caloroso para o segurança, que, justiça seja feita, retribuiu com igual simpatia. No dia seguinte, liguei para o dono do restaurante e contei o que tinha acontecido. Disse que queria saldar minha dívida. Ele respondeu que não precisava. Se eu tinha ido ao restaurante nesse estado, era porque gostava mesmo de lá. Pensando bem, essa não foi exatamente uma extravagância, mas uma palhaçada.

  • 7

    Qual é o seu estado mental atual?

    Um pouco deprimido, um pouco desesperado, mas ainda com a cabeça no lugar.

  • 8

    Que virtude considera superestimada?

    Não sei. Quando ouço a palavra "virtude", penso logo em cavaleiros medievais e lamento profundamente não ter um cavalo e uma espada.

  • 9

    Em que ocasião você mente?

    Quando percebo que a verdade vai soar como mentira.

  • 10

    O que menos gosta sobre sua aparência?

    As bochechas gordas e a barriga de cerveja. Mas essa é uma resposta convencional, para fazer rir. A verdade é que ainda não me acostumei completamente com a minha aparência. Só gosto mesmo das minhas mãos. Talvez por ser a parte do meu corpo que vejo com mais frequência.

  • 11

    Que pessoa viva você mais despreza?

    Começa com B.

  • 12

    Que qualidade mais admira em um homem?

    Como disse o poeta e romancista Roberto Bolaño, a bondade.

  • 13

    Que qualidade mais admira em uma mulher?

    Como disse o poeta e romancista Roberto Bolaño, a bondade, claro.

  • 14

    De que palavras ou frases você abusa?

    "Merda!", "Que absurdo!", "Só me faltava essa!".

  • 15

    O que ou quem é o maior amor da sua vida?

    Ela é discreta e não gostaria que eu revelasse o seu nome.

  • 16

    Quando e onde você foi mais feliz na vida?

    Fui feliz muitas vezes. Geralmente de manhã ou à noite. Acho difícil ser feliz à tarde.

  • 17

    Que talento você mais gostaria de ter?

    Adoraria saber tocar cavaquinho e fazer parte de um grupo de choro.

  • 18

    Se você pudesse mudar uma coisa sobre você, o que seria?

    Teria nascido no Recife, a cidade ondulada, das pessoas onduladas, para ser uma pessoa ondulada.

  • 19

    O que considera sua maior conquista?

    Os livros que escrevi, sem dúvida.

  • 20

    Se você morresse e voltasse como uma coisa ou uma pessoa, o que você gostaria de ser?

    Uma cafeteira italiana.

  • 21

    Onde você mais gostaria de morar?

    Gostaria de ter um apartamento em Buenos Aires, perto de algum lindo café decadente, uma casa de paredes caiadas com janelas verdes numa ilha grega, um sítio cheio de cavalos em Santo Anastácio, onde nasci e cresci, uma casinha com janelas azuis na Mantiqueira e um apartamento no centro de São Paulo, para poder ir a vários bairros a pé. Passaria dois ou três meses por ano em cada um desses lugares e, quando fizesse 70 anos, mudaria de vez para Buenos Aires.

  • 22

    Qual é o seu pertence mais estimado?

    A mesa da minha sala. É grande, linda, cheia de reentrâncias. Parece uma árvore de peito aberto.

  • 23

    O que você considera o nível mais baixo da desgraça?

    Matar alguém.

  • 24

    Qual sua ocupação favorita?

    Meu dia ideal é mais ou menos assim: acordo às 5h (tendo dormido, sóbrio, por volta das 21h), escrevo uma página tão boa quanto possível, leio 40 páginas geniais, caminho pela cidade por uma ou duas horas e antes das 14h estou bebendo cerveja e cachaça com amigos e amigas num boteco do centro. Isso em São Paulo. Em Santo Anastácio, o bom é comer churrasco com a família.

  • 25

    Qual sua característica mais marcante?

    Não sei. Os outros é que sabem. E quem sabe o que os outros pensam?

  • 26

    O que você mais valoriza em seus amigos?

    Em cada um valorizo uma coisa diferente. Mas não tenho amigos indiferentes ao humor e/ou à poesia.

  • 27

    Quais os seus escritores favoritos?

    Para ficar só no Brasil. Na poesia, Manuel Bandeira. Na prosa, Rubem Braga.

  • 28

    Quem é seu herói na ficção?

    Arthur Rimbaud, claro.

  • 29

    Com qual figura histórica você mais se identifica?

    Domenico Scandella (1532-1599), vulgo Menocchio, o moleiro de "O Queijo e os Vermes" (Companhia das Letras, 2006), de Carlo Ginzburg. Sou teimoso, e um pouco delirante, como ele.

  • 30

    Quem são seus heróis na vida real?

    Os grandes poetas e os trovadores da música popular.

  • 31

    Quais são seus nomes favoritos?

    Soninha, Paula, Gabriela e Mariana.

  • 32

    O que você mais detesta?

    Injustiça de modo geral e inveja de modo particular.

  • 33

    Qual seu grande arrependimento?

    Ah, são muitos! A simples lembrança de um deles me dá vontade de mudar de país.

  • 34

    Como gostaria de morrer?

    De parada cardíaca, não muito velho, bêbado de vinho tinto, ouvindo Chavela Vargas, numa manhã luminosa.

  • 35

    Qual é o seu lema?

    “Considera as ideias alheias, mas forma juízo próprio.” Shakespeare, acho. Mas se não for dele, deve ser do Luiz Gonzaga.

É autor de mais de 20 livros, entre eles “Roendo Unha” (Pedra Papel Tesoura, 2019) e “Perambule” (Editora 34, 2018). Também é editor e professor, e durante nove anos foi colunista da “Folha de S.Paulo”

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