Bloco de notas da Semana "Defina trabalho" — Gama Revista
Defina trabalho

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Bloco de notas

Bloco de notas

Filmes, arte, reportagens. Uma grande seleção da equipe Gama sobre trabalho, desemprego e vida profissional hoje 

19 de Abril de 2020
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    Um personagem que dá vida aos paradoxos da pandemia. Com o isolamento social, parte do mundo passou a viver em cidades quase fantasmas, com ruas povoadas apenas pelos entregadores. Nesta capa da New Yorker, o ilustrador Pascal Campion retratou a rotina das metrópoles, que seguem funcionando graças ao delivery. Traduziu, em uma imagem, a UBERIZAÇÃO. Quem pode trabalha de casa. Mas cabe aos entregadores a árdua tarefa de suprir quem tem o privilégio de se isolar. Em ENTREVISTA à revista, Campion conta por que decidiu personificar a pandemia num personagem. “O entregador se tornou o recipiente (e a corporificação) das minhas emoções.” 

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    THE OFFICE, 15 anos após o lançamento, segue como um dos seriados de comédia mais icônicos da TV (e do streaming, disponível na Amazon). Agora, serve à nostalgia de quem passa por uma síndrome de Estocolmo da firma. Sua mágica, afinal, é retratar de forma extraordinariamente banal (e com um humor deliciosamente degradante) como é o trabalho em um escritório – aliás, como era. Com a quarentena, o convívio social cedeu lugar ao trabalho de casa. Novos tempos. Que pedem novas séries assim que as produções forem retomadas. Será que ano que vem teremos algo como “The Home Office”? 

  • Sai o vírus, ficam os robôs. Enquanto o mundo busca formas de diminuir o contato entre as pessoas, AS MÁQUINAS TOMAM O LUGAR: a pandemia deve acelerar ainda mais o processo de automação do trabalho. Na China, já é fato: com as imposições do governo para reabrir uma fábrica, o custo de operar com máquinas PASSOU A VALER A PENA. O mesmo ocorreria no Brasil: mercados e restaurantes devem SUBSTITUIR PESSOAS POR TÓTENS. Ficaremos trancados em casa, sendo atendidos por máquinas?

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    Que os japoneses muitas vezes trabalham até morrer virou senso comum. Tem até nome: KAROSHI. Já hatarakimono define o trabalhador que dá duro. Em HATARAKIMONO PROJECT, o artista francês K-NARF, que vive há anos em Tóquio, transforma o trabalho comum em arte, imortalizando uma centena de profissões, muitas fadadas a desaparecer – sobretudo depois da pandemia de COVID-19.

  • “As transformações humanas vão ser sinceras, cruas, feias, esperançosas, frustrantes, lindas e divinas (…) Seja lento. Permita-se ficar distraído. Deixe que isso mude o modo como você pensa e como você vê o mundo. Porque o nosso trabalho é o mundo”

    Trecho do ARTIGO de Aisha Ahmad, pesquisadora e professora-assistente de Ciências Políticas na Universidade de Toronto, no Canadá. Seu texto traz conselhos sobre produtividade acadêmica em condições adversas.


  • De forma pessoal e íntima, o cineasta Marcelo Gomes representa as relações modernas de trabalho por meio do microcosmo de uma pequena cidade no interior de Pernambuco. A cada ano, mais de 20 milhões de jeans são produzidos nas fábricas de fundo de quintal de Toritama, o que representa 20% da produção nacional – motivo de um contraditório orgulho para os locais. O documentário “ESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR” mostra como a lógica de trabalho ininterrupta do capitalismo, sem direitos trabalhistas, molda a vida de pessoas comuns. O descanso só existe no tão esperado Carnaval, quando quem pode foge para o litoral em busca de paz.

  • O coronavírus está corroendo a economia mundial, paralisada pelos lockdowns. Em meio à pandemia, O DESEMPREGO PODE DOBRAR no Brasil. Mas há boas notícias, como o MOVIMENTO NÃO DEMITA, que tenta convencer as empresas a manter funcionários de todas as formas. Com o comprometimento de grandes empregadores, mais de 1,5 milhão de vagas podem ser poupadas.


  • Era uma vez uma fábrica automotiva nos Estados Unidos que foi fechada. Afinal, era mais barato produzir na China. Milhares de funcionários da planta da General Motors perderam seus empregos. Mas eis que um empresário chinês decide abrir uma fábrica de peças automotivas… nos Estados Unidos. FÁBRICA AMERICANA mostra o embate entre duas culturas, duas mentalidades, duas visões sobre o valor e o papel do trabalho numa sociedade capitalista. Com produção do casal Obama, o documentário venceu o último Oscar. Está disponível no Netflix. 

  • Sentindo falta de trabalhar no seu café preferido, até do barulho das máquinas de expresso que antes incomodava a concentração? Há alternativas como o COFFITIVITY, que recria sons e ruídos do ambiente aconchegante de um café. Apoiado em estudos que atestam que a existência de distrações e ruídos ajuda no processo criativo, o site disponibiliza uma biblioteca de sons de diferentes nacionalidades – de cafeterias brasileiras, americanas, francesas…

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    O artista taiwanês Tehching Hsieh bateu o ponto de hora em hora durante 365 dias para produzir a obra “PERFORMANCE DE UM ANO”. Era sua resposta artística à baixa valorização de trabalhadores. Num VÍDEO NO SITE DA TATE MODERN, instituição onde a obra se encontra, ele conta como  imigrou ilegalmente para os Estados Unidos e acabou trabalhando por vários anos limpando mesas e lavando louça em condições precárias. A arte, como a vida, diz, tem a ver com o tempo. Então ele calculou o tempo humano como trabalho. “É uma boa forma de medir a vida real.” A performance é de 1981. Mas é mais atual do que nunca.