Uma seleção das melhores dicas profissionais — Gama Revista
Defina trabalho

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Repertório

A melhor dica profissional que recebi na vida

Um bom conselho de trabalho ainda é capaz de transformar carreiras. Profissionais de diferentes áreas compartilham as recomendações que guardaram para sempre

Laura Capelhuchnik 19 de Abril de 2020

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    Maria Prata

    jornalista e apresentadora do Mundo S/A
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    “Foi um ‘claro que sim!’, quando questionei se a Eugenia Moreyra, diretora da Globo News, achava que eu, jornalista de moda há 18 anos na época, ia saber falar sobre empreendedorismo e negócios na televisão. Esse ‘claro que sim’ incluía uma boa dose de ‘não tenha medo do que você não conhece’, ‘acredite em você mesma’, ‘se você não arriscar, como vai saber?’ e todos os clichês que, nessa hora, são tão verdadeiros. 

    Insisto na resposta porque foi o conselho que mudou minha vida. Mesmo. E acho que o empurrão profissional que a imensa maioria das pessoas precisa é justamente esse: acreditar que vai rolar e tentar, arriscar.” 

  • 2

    Conceição Evaristo

    Escritora
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    “Pensando não só na área profissional, mas em posicionamento diante da vida, me lembro sempre de um conselho da Beatriz Nascimento, uma amiga e historiadora. Ela me aconselhou a toda vez que eu estivesse em um espaço, nunca agir com timidez. Era sempre para eu agir tendo certeza de que todo espaço em que eu estivesse presente era meu por direito. Esse foi o conselho que Beatriz me deu quando iniciei meu curso de mestrado na PUC, em 1990.”

  • 3

    Augusto de Arruda Botelho

    Advogado
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    “Meu maior conselho profissional foi dado pelo meu ex-chefe e mentor, o advogado Márcio Thomaz Bastos. Isso foi quando eu ainda era estagiário dele, por volta de 2001. Ele me disse: ‘Advocacia criminal não é para os covardes. Você vai se indispor com pessoas, vai ter inimigos e será, na maioria da vezes, incompreendido. Siga firme que sua defesa é sempre do Estado Democrático de Direito e das garantias constitucionalmente previstas. Você não advoga para pessoas, você defende direitos’.”

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    Dominique Oliver

    CEO da Amaro
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    “Não replique. Crie algo do zero, pois é a inovação que vai te conduzir ao sucesso.”

  • 5

    Daniela Cachich

    VP de Marketing da PepsiCo Brasil Alimentos
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    “Recebi o conselho de uma líder: ‘Tenha claro onde quer chegar, pense onde quer estar daqui cinco anos e faça com que sua carreira seja direcionada para esse objetivo.’ Eu sempre soube que queria ser a número um de marketing de uma empresa. Não sabia exatamente de qual área ou em qual empresa seria. Porém, eu sabia que queria ser CMO [Chief Marketing Officer] e foi com esse pensamento que foquei minha carreira. O que aprendi desse conselho foi a clareza de onde queria chegar, direcionando as minhas decisões profissionais: isso está me levando ou me afastando de onde quero estar? Isso é algo muito bacana que quero passar para as pessoas? Sempre saiba onde você quer chegar.”

  • 6

    Beatriz Milhazes

    Artista visual
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    “Quando eu estava no segundo ano da faculdade de Comunicação Social – Jornalismo, eu me sentia insatisfeita, estava insegura quanto a minha escolha. Nesse momento, minha mãe, Glauce Milhazes, me sugeriu fazer um curso de artes. Ela sempre observou meu interesse pelo desenho, figurinos e invenções criativas para o meu dia a dia. Eu nunca havia pensado em ser artista, mas quando iniciei o curso de verão na Escola de Artes do Parque Lage não tive mais dúvidas. No universo de arte encontrei meu universo de vida.”

  • 7

    Barbara Soalheiro

    Fundadora da Mesa Company
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    “Minha mãe me deu um conselho ótimo: ‘Esse pessoal tem muita sorte de você trabalhar para eles’. Sempre cresci pensando que meu empregador é quem tinha sorte de me ter trabalhando para ele, isso moldou muito o meu jeito de ver o trabalho. Era uma visão um pouco de mãe orgulhosa, mas é interessante. Tem duas coisas: me ajudou a me tornar uma funcionária que aquele empregador gostaria de ter. E me fez entender que trabalho é uma relação de dois: não sou só eu que tenho que fazer as coisas por aquele empregador, ele também tem que ser interessante para mim. Claro, falando aqui da minha condição de privilégio, sempre pude optar. Se eu fosse mãe de três filhos, como sou hoje, há mais tempo, talvez eu não pudesse ter feito as escolhas que fiz.”

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    Renata Felinto

    artista visual, professora e pesquisadora
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    “Acredito que, independentemente do conselho, em um país como o nosso, escolher qual será nossa atividade profissional é um privilégio. Isso está relacionado a fatores históricos, socioeconômicos, às nossas estratificações étnico-raciais. Não se trata de meritocracia, mas de condições para que você possa se desenvolver. Estamos numa sociedade que fala muito sobre competência mas se esquece de como se adquire competência e habilidade, de como são essas formações e de quem tem acesso a elas.

    Quando estava no último semestre do Instituto de Artes da Unesp, pesquisava arte afrobrasileira, mas com o recorte de pessoas pretas produzindo arte num país racista. Comentei com meu professor Milton Sogabe da dificuldade de encontrar referências na área para fazer o meu trabalho de conclusão de curso. E ele me disse para levar aquilo adiante: ‘Se você não encontra referências é porque é um campo a ser pesquisado’.  Eu segui com essa pesquisa também no mestrado e no doutorado, e hoje poderia dizer que, como artista, pesquisadora, professora, sou uma das pessoas que tem levado adiante a questão da mulher negra no campo das artes visuais. Então diria que quando alguém te disser ‘não existe pesquisa nesse campo’, em vez de se sentir desestimulada porque não sabe por onde começar, é aí que você tem que se aprofundar — evidentemente é preciso buscar a relevância desse tema para a sociedade. Porque talvez você seja uma das primeiras pessoas a se debruçar sobre esse tema, e isso é importante.