Bloco de notas da Semana "Drogas: mudou de opinião?" — Gama Revista
Drogas: mudou de opinião?

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Bloco de notas

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Gregório Duvivier e a maconha, um psiquiatra checo e as viagens psicodélicas, Drauzio Varella e o fracasso da guerra às drogas. A seleção da equipe Gama sobre o mundo dos entorpecentes

15 de Novembro de 2020

  • Depois de passar cem episódios de Greg News falando sobre os problemas do Brasil e do mundo, o comediante Gregório Duvivier apresentou o tema que considera ser a solução para todos eles: a maconha. Seja na questão da segurança, clima, economia ou saúde, a cannabis se mostrou ótima alternativa — na absorção de carbono da atmosfera, no tratamento de doenças, na redução do tráfico e criminalidade, entre outros. “Não é à toa que Deus mandou fazer a bíblia em papel de seda.”

  • Stanislav Grof é um psiquiatra checo que pesquisa os estados alterados de consciência pelo uso de entorpecentes. De acordo com ele, atingir outros estados mentais é uma ferramenta importante para acessar o subconsciente, e assim tratar experiências traumáticas e sofrimentos profundos. Acaba de ser traduzido para o português “O CAMINHO DO PSICONAUTA” (Editora Numina), de 2019, em que ele fala sobre jornadas internas, viagens psicodélicas e acesso ao subconsciente.

  • “Muitas mulheres cometem crimes porque precisam complementar a renda para sustentar seus filhos. O tráfico é um trabalho flexível que permite que elas estejam em casa para cuidar deles”

    Diz a defensora pública Surrailly Youssef, entrevistada pela Gama em reportagem sobre as consequências sociais da prisão de uma mulher

  • Nas útlimas eleições americanas, havia um ponto em comum entre republicanos e democratas: TODOS VIRARAM AS COSTAS À GUERRA ÀS DROGAS. A matéria do New York Times analisa o contexto e os possíveis motivos que levaram os americanos a se posicionarem contra a antiga política, como o esgotamento do público com a situação e o processo de reenquadramento da maconha, do MDMA e da psilocibina como medicamentos.


  • Existe um outro mundo sob nossos pés: o dos cogumelos. O filme “Fantastic Fungi” (2019), de Louie Schwartzberg, leva o espectador a uma viagem imersiva ao reino Fungi e aborda sua beleza, inteligência e soluções que oferece em resposta aos desafios médicos, terapêuticos e ambientais mais urgentes. “Eles podem alimentar, curar ou matar”, diz um dos cientistas entrevistados.

  • A série de reportagens especiais da Folha de S.Paulo ESTADO ALTERADO levanta o debate sobre os efeitos das diferentes políticas de drogas pelo mundo ao expor a maneira como nações dos quatro continentes lidam com a produção, a distribuição e o consumo de entorpecentes, da inovação no plantio de cannabis medicinal em Israel, aos efeitos da legislação rigorosa na Indonésia.

  • “Por que não começarmos mudando a legislação que criminaliza o consumo de maconha? Ou a solução será mandar para a cadeia todos os usuários, ainda que sejam da nossa família?”

    O médico Drauzio Varella, de 77 anos, entende a guerra às drogas como uma batalha perdida. Em artigo publicado em seu portal, comenta sobre o fracasso de políticas repressivas.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Erik McGregor / Getty Images

    SACKLER PAIN é um projeto artístico da fotógrafa Nan Goldin, no qual a artista denuncia o descaso da família Saclker, fundadora da Purdue Pharma, a farmacêutica que está entre as grandes responsáveis pela crise dos opioides nos EUA — e quem Goldin responsabiliza por seu vício. Logo depois de ter largado a droga, a fotógrafa inaugurou um projeto sobre os direitos civis, no qual compartilhou fotos da sua trajetória de dependência e declarou: “eu sobrevivi”.


  • Já imaginou um Brasil em que a maconha fosse legalizada? É neste cenário que se desenrola a série ficcional brasileira “PICO DA NEBLINA” (2019), da HBO, que acompanha a vida de um ex-traficante da periferia de São Paulo que, de repente, se vê um microempreendedor e sócio de um ex-cliente playboy.

  • Viver uma crise de abstinência e descrever a dor e o desespero da experiência. Com um pouco de groove e guitarras estridentes, em COLD TURKEY (1969), John Lennon traduz a angústia que um usuário de heroína pode sentir ao ficar longe da droga, uma das responsáveis, dizem por aí, pela separação dos Beatles. Os fãs de Lou Reed apostam que ele também tratou da substância em PERFECT DAY (1972), essa com um tom mais romântico.