Bloco de notas da Semana "Filhos e telas" — Gama Revista
Filhos e telas

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Bloco de notas

Bloco de notas

Uma seleção da equipe Gama com dicas e reflexões sobre a relação das crianças com as telas

03 de Maio de 2020
  • Imagem da listagem de bloco de notas
    ©Eric Pickersgill

    Como seria a vida se não estivéssemos rodeados por telas? A série de imagens feita pelo fotógrafo americano Eric Pickersgill, denominada REMOVED, pode dar uma ideia. Incomodado com o uso indiscriminado dos smartphones, o artista fotografou pessoas em diferentes situações e totalmente vidradas em suas telas, para depois editar e remover os dispositivos da imagem, como na foto acima. Depois de eliminadas as telas da imagem, o resultado é, no mínimo, desconcertante.

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    As selfies são um fenômeno cultural desta geração, inclusive as de crianças: elas têm se multiplicado no Instagram, formando uma galeria divertida por meio da hashtag #TODDLERSELFIE. Sim, eles adoram se fotografar: basta dar um celular na mão com a câmera ligada e observar. Um FASCÍNIO PELA PRÓPRIA IMAGEM que se explica: como num espelho, as selfies são uma forma dos pequenos explorarem quem são, seus limites e diferenças, e se deliciarem com o autorretrato. De Narciso, todo mundo tem um pouco. Até os bebês.

  • As telas venceram. Se antes a interação entre crianças e telas alimentava uma polêmica acirrada sobre limites e proibições, o coronavírus MUDOU O DEBATE. Com a nova realidade do distanciamento social e confinamento, as crianças estão sem ir à escola. As telas se tornaram uma janela para o mundo exterior, situação sem precedentes para a qual não há manual de parentalidade. A situação está longe do ideal preconizado por especialistas. Mas, pelo menos por ora, LIBERE AS TELAS. E tente fazer o melhor uso possível. Há apps e atividades tecnológicas educacionais. Muito além da Peppa Pig.

  • Entre as atividades para pais e filhos se entreterem LONGE DAS TELAS há uma série de possibilidades na linha “faça você mesmo”: que tal aprender a fazer ORIGAMIS?  É no Youtube que se pode ter, de graça, muitas dessas ideias. Há ainda sites que ensinam como COZINHAR COM AS CRIANÇAS e por aí vai. A repórter (e mãe) Érica Fraga criou UM DIÁRIO DA QUARENTENA EM FAMÍLIA para mostrar como entreter três crianças pequenas, trabalhar, assoviar e chupar cana.


  • Aqui, o entretenimento na tela vira aprendizado para as crianças. Baseado no best-seller infantil de OLIVER JEFFERS, a ANIMAÇÃO “Here We Are: Notes For Living on Planet Earth” (“Aqui Estamos Nós: Notas para Viver no Planeta Terra”, em tradução livre), produzida pela AppleTV em comemoração ao Dia da Terra, ajuda os pequenos a entenderem as maravilhas do planeta em que vivem. A história gira em torno de um garoto de 7 anos, cheio de dúvidas e questionamentos sobre a Terra.

  • O acesso ilimitado às telas pode não apenas trazer consequências para o desenvolvimento das crianças como levá-los a destinos pouco adequados cedo demais. De acordo com o projeto “THE PORN CONVERSATION”, um terço do tráfego online é movimentado pela pornografia, então as crianças podem chegar a esses sites, mesmo sem querer. Por isso, um casal de argentinos criou a plataforma para ajudar nesse papo complicado. Dividido em idades, o projeto oferece manuais e ferramentas para pais e professores conversarem com os filhos sobre pornografia. O lema é não deixar o papo para mais tarde, e evitar que eles caiam em armadilhas pornográficas sem saber do que se trata.

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    “Que tal aproveitar ao máximo este tempo de reclusão para fazer o seu próprio Diário do Isolamento?” A sugestão é do artista Stephen McCarthy, que produziu um DIÁRIO INTERATIVO infantil – para ficar longe das telas. A ideia é baixar as páginas do diário, que tem versão também em português, dando às crianças um espaço (físico) para se expressar, escrever e desenhar as emoções causadas pelo distanciamento. Além de ajudar a limitar o tempo gasto com as telas, o diário pode ficar de lembrança para o futuro, uma testemunha da força e resistência em uma época atípica. Para os pais, é um bom começo de conversa e, com sorte, pode ajudar a fornecer uma visão sobre o que se passa na mente dos filhos.

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    A relação entre filhos e telas pode tomar proporções bizarras, e chegar ao limite do horror (na ficção, ao menos). Em versão contemporânea do clássico do cinema, o filme “POLTERGEIST – O FENÔMENO” conta a história de uma família que se muda para uma casa assombrada por forças malignas. Aparições estranhas começam a acontecer, até que a filha caçula é capturada por espíritos. E detalhe, os fantasmas estão presos dentro das telas, e capturam a menina por meio delas. Seria um sinal?

  • Em tempos de quarentena, a busca por cursos online aumenta. É, portanto, momento para os professores mudarem de lado e também aprenderem pelas telas. O INSTITUTO RODRIGO MENDES, que atua na formação de profissionais de educação para lidar com crianças com algum tipo de deficiência, pesquisa boas práticas pelo Brasil e pelo mundo, como este curso focado em EDUCAÇÃO INCLUSIVA.


  • “Como vocês vão imaginar alguma coisa se as imagens são sempre dadas para vocês?”, questiona o professor diante do quadro. Em “O SUBSTITUTO” (2011), de Tony Kaye, Adrien Brody leciona em uma escola de periferia com adolescentes vivendo dificuldades de todo tipo. E tenta mostrar aos alunos como a alienação, falta de interesse e mesmo de perspectiva tem relação direta com as telas, sobretudo a televisão. A solução seria a boa e velha leitura. O título original (“Detachment”, ou “Distanciamento”) traz uma crítica direta sobre como as telas podem nos afastar uns dos outros e da própria realidade.