Depoimentos de crianças sobre a vida pelas telas — Gama Revista
Filhos e telas

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Filhos

Como é a vida pelas telas, segundo crianças

O número de horas gastas no smartphone aumentou em todo o mundo desde a adoção das medidas de distanciamento social. Gama perguntou a jovens de 5 a 14 anos como tem sido a relação com as telas durante a quarentena

Laura Capelhuchnik 03 de Maio de 2020

O tempo excessivo que crianças e adolescentes passam olhando para as telas digitais e interagindo com elas vem sendo discutido desde o advento da televisão. Mas como fica essa questão quando, em tempos de pandemia, celulares, computadores e até videogames se tornam o único jeito de as crianças cumprirem o ano letivo, sociabilizarem com colegas?

Gama conversou pela internet com sete jovens entre cinco e 14 anos para saber como eles têm visto a própria relação com as telas — como é estudar e se relacionar online e o que há de bom e de ruim num cotidiano mais digitalizado. Confira os depoimentos.

Ana Carolina Da Silva Santos, 14 anos

Aluna da rede pública estadual de São Paulo

“Hoje tive minha primeira aula online. Para a gente que estuda em escola estadual é muito difícil. É todo o estado de São Paulo na [mesma] aula, acaba travando muito. O governo poderia ter feito algo melhor para a escola, até para os professores, que é muito desgastante, e para os alunos”


Francisco Ursaia Heder, 11 anos

Aluno da rede privada de ensino em São Paulo

“Conversar online é diferente da vida real, às vezes você fala uma coisa, mas como tem o delay, o outro também está falando. Aí junta, não dá para ouvir ninguém. Eu acho uma experiência divertida. Mas é extremamente difícil não conseguir tirar uma dúvida com o professor pessoalmente ou ver as pessoas só por trás de uma videochamada”


Ana Sophia Prates Soares, 10 anos

Aluna da rede pública municipal de São Paulo

“Estou seguindo uma digital influencer que é a Luara, do TikTok. Eu danço e dublo com ela. Mas eu tenho limite para usar celular, porque senão cansa a vista. Ainda mais eu que uso óculos para descanso”


Manuela Marques Trotta, 12 anos

Aluna da rede privada de ensino em São Paulo

“Eu e minha irmã mais velha gostamos muito de assistir à TV, só que de séries completamente diferentes. E aí a gente teve que separar as horas, porque meus pais não gostavam nem que a gente ficasse brigando, nem que ficasse muito na TV. E nesse tempo livre [longe da tela] eu descobri um monte de outras coisas de que nem sabia que gostava”


Benedita Nzinga Felinto Trindade, 5 anos, Francisco Madiba Felinto Trindade, 6

Alunos da rede privada de ensino no Ceará

“A gente acorda, toma café da manhã, aí depois brinca um pouco, espera a hora do almoço, fala com o papai, escova os dentes e aí a gente joga [no celular]. Quando a mamãe diz que é hora de parar, a gente para”


Mateus Sidrim Rodrigues, 12 anos

Aluno da rede privada de ensino no Ceará

“Eu não tinha costume de conversar com meus amigos pela tela, somente pelo videogame. Agora nós temos as aulas online, e sempre que tem um intervalinho a gente fica conversando. É como se fosse uma aula normal, só que pelo computador. O ideal seria um lugar com poucas distrações, mas eu acho até que as aulas têm passado mais rápido e estão sendo mais eficientes”