Bloco de Notas da Semana "Inovar pra quê?" — Gama Revista
Inovar pra quê?

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Bloco de notas

Bloco de notas

Gama seleciona ideias e inovações capazes de transformar o mundo para melhor

10 de Maio de 2020
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    ©Divulgação HipRoller

    Inovação não se resume a tecnologia de ponta ou investimentos milionários. Um SIMPLES BARRIL DE PLÁSTICO, o Hippo Roller (foto acima), adaptado para carregar água, tem mudado a vida de meio milhão de mulheres pobres que se arriscam por longas distâncias em áreas violentas para buscar água. Para o Banco Mundial, inovações LOW-TECH SALVARÃO A ÁFRICA. Milhões de pessoas vivem em áreas sem acesso a energia elétrica e água potável. Mais útil que gadgets ultra-tecnológicos, então, é um FOGÃO de baixo consumo energético; um FILTRO DE ÁGUA que elimina germes de forma barata ou um REFRIGERADOR SOLAR.

  • A inovação é mais importante quando é vitalmente necessária. Desde o início da pandemia se tem falado de ESFORÇO DE GUERRA: de como o Covid-19 tem estimulado um boom inédito de inovação emergencial. De RESPIRADORES BARATOS produzidos em dias a equipamentos feitos na hora em IMPRESSORAS 3D, as inovações podem SALVAR MILHÕES DE VIDAS. Já existe até um MAPA DE INOVAÇÕES SOBRE O CORONAVÍRUS em tempo real.

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    ©Divulgação MI.MU

    A cantora, produtora e diva futurista IMOGEN HEAP tem inovado no mundo da música há duas décadas. Neste TED TALK, ela fala sobre o futuro da produção musical usando as LUVAS que desenvolveu para permitir a um artista produzir sons com os movimentos do corpo. A tecnologia tem sido usada por outros artistas, como CHAGALL VAN DEN BERG. Com sensores acoplados a várias partes do corpo do produtor, CADA EXPRESSÃO VIRA MÚSICA. “E assim, a performance na música eletrônica se transforma em algo mais humano e expressivo.”

  • “A humanidade está viciada no novo. Então ela quer um carro novo, uma máquina nova, um computador novo, uma roupa nova, alguma coisa nova”

    Quem diz é Ailton Krenak numa roda de conversa do ciclo de estudos SELVAGEM, que põe em diálogo conhecimentos indígenas, científicos, tradicionais e acadêmicos. Para o líder indígena brasileiro, escritor e ambientalista, a inovação hoje se confunde com consumismo. Trocar um carro de motor a combustível fóssil por outro elétrico pode ser bom para o planeta, diz. Mas por que não trocar apenas o motor, em vez de produzir milhões de novos carros? 

  • A Inovação tem limite? Em nome da luta contra o Covid-19, a China tem aumentado seu já altíssimo grau de VIGILÂNCIA EM MASSA, para impedir a saída das pessoas e a difusão do vírus. Países como Brasil e Israel têm usado geolocalização de celulares para medir a adesão à quarentena. Na crise, tal uso da inovação é bem-vindo. Mas e depois, como impedir que tais tecnologias tenham seu USO INDISCRIMINADO por governos totalitários? Ou por empresas interessadas em lucrar com seus dados? Uma inovação positiva pode dar origem a um Estado de BIOVIGILÂNCIA?

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    JOY conta a história de Joy Mangano, a jovem que criou um esfregão “mágico” e ficou milionária. Dentre as mais de cem patentes de invenções suas, a mais útil (e logo a mais bem-sucedida) a alçou ao estrelato. A história é tão interessante para quem pensa em inovar que o Centro de Inovação da Universidade Stanford fez uma RESENHA do filme. Afinal, afirma o site do instituto, POR TRÁS DE CADA INVENÇÃO HÁ UMA HISTÓRIA.

  • Inovação e comida andam mais juntas do que imaginamos. Dentre as 40 INOVAÇÕES do mercado alimentício que devem marcar 2020, segundo a firma Board of Innovation, há desde um ROBÔ QUE FAZ PIZZA NA HORA, do jeito que você quiser, num quiosque 24 horas a um aparelho que detecta ingredientes alergênicos na sua comida. Mas há ideias mais simples e que fazem a diferença. Caso da PREMIADA startup DULOCAL, que ligou pequenos produtores rurais, cozinheiras da periferia de São Paulo (Paraisópolis) e millenials famintos em busca de uma refeição rápida, saudável e social e ecologicamente correta por meio de uma plataforma de delivery fácil e inteligente.

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    ©Divulgação Alighieri

    O British Fashion Council criou o prêmio QUEEN ELIZABETH II AWARD FOR BRITISH DESIGN para premiar jovens estilistas britânicos que estão inovando o mundo da moda através de uma conduta verde e ecológica. Em 2020, a premiada foi ROSH MAHTANI, criadora da Alighieri, marca de jóias italiana que leva no nome uma homenagem ao autor de “A Divina Comédia”. Nascida na Zâmbia, a coleção de Outono/Inverno 2020 de Mahtani se chama LOVE IN THE WASTELAND, outra referência literária, dessa vez a um poema de T.S. Elliot. Além da alusão à literatura, a nova coleção de Mahtani é amiga do meio ambiente (feita com bronze reciclado) e tem um propósito social. De acordo com ela, é muito mais do que seguir tendências. As joias são criadas para a eternidade, e no caso de Love In The Wasteland, a intenção é comunicar, unir e, assim, avançar junto.

  • Não é novidade que as periferias vivem em constante escanteio. E com a pandemia, foram ainda mais esquecidas e PRECISARAM SE VIRAR. Nesse contexto, MUITAS INICIATIVAS SURGIRAM. Uma delas, a SALVE CRIADORES, irá financiar coletivos da periferia para produzir conteúdo audiovisual sobre o coronavírus. A inovação vem no pacote: com a divulgação dos trabalhos, o projeto dá voz e visibilidade para pessoas marginalizadas e ainda traz informação sobre essa crise de outra perspectiva. É hora de se perguntar como a pandemia está afetando indígenas, pessoas negras e periféricas.


  • Seu nome era Sarah, mas Madam C.J. Walker era como desejava ser chamada. E seu desejo virou ordem. A nova minissérie da Netflix, “A VIDA E A HISTÓRIA DE MADAM C.J WALKER” é baseada em fatos reais e conta a história da primeira mulher negra e milionária dos Estados Unidos. Sua fortuna, fruto de um produto inovador pensado especialmente para cabelos de mulheres negras, foi conquistada com o suor do próprio rosto. O produto deu o que falar: uniu mulheres americanas negras e foi fiel aliado na aceitação de seus cabelos – e de si mesmas.