Recados de orgulho da comunidade LGBT — Gama Revista
Orgulho de quê?

2

Semana

Mande seu recado

Zélia Duncan, Jean Wyllys, Nanda Costa e outras pessoas da comunidade LGBTQI+ compartilham com Gama suas mensagens para o mês que celebra o orgulho

Mariana Payno e Manuela Stelzer 28 de Junho de 2020

Rico Dalasam “Dê o seu lugar, quando você entender que ele está sendo de privilégio, para pessoas com menos privilégios.”


Jean Wyllys “É importante que a gente comemore e que a gente lembre que todos os espaços a partir dos quais falamos, todos os espaços de que desfrutamos, foram abertos por gerações de ativistas que vieram antes.”


Alice Marcone “Muitas pessoas vieram antes da gente, e muitas deram suas vidas para que a gente tivesse os direitos e as conquistas que temos hoje.”


Chico Felitti “Talvez a gente seja a primeira geração que vai chegar a algum poder sem estar dentro do armário. E pense nisso na hora em que você puder contratar alguém, lembre-se de como foi difícil pra você.”


Natalia Borges Polesso “Leia mulheres LBT.”

Johnny Luxo “Uma coisa que eu sempre digo para mim mesma: nunca abaixe a cabeça para as uós, orgulhe-se sempre.”


Cristina Naumovs “Pros que vieram antes, que apanharam antes, que morreram antes, que sofreram antes: meu muito obrigada. Ainda bem que vocês estavam aqui para proteger a gente.”


Jup do Bairro “Eu tenho orgulho de muitas e também tenho orgulho de mim.”


Veronica Valenttino “Eu quero te apresentar a arte travesti, porque assim a gente vai desmistificar um bando de equívocos e um bando de imagens estereotipadas que nos colocam sempre nesse lugar de marginalidade.”

Ivana Wonder “Orgulhem-se do seu passado, do seu presente e muito do nosso futuro.”


Nanda Costa e Lan Lan “O certo é o amor, o certo é ser feliz, é o respeito ao próximo e a liberdade da gente poder ser quem a gente quiser, amar quem a gente quiser.”


Neon Cunha “Eu me pergunto: o que é que a comunidade LGBTQIA tem oferecido à humanidade? A celebração do direito de ser quem se é. A celebração ordinária, cotidiana, nos mínimos detalhes.”


Arthur Murta “Não existe nenhuma mudança estrutural que não seja via educação. Que nessa semana do orgulho a gente desperte para políticas públicas em matéria de educação.”


José Carlos Honorio “A gente merece ser feliz. Só isso.”

Zélia Duncan “Ninguém vai nos invisibilizar para sempre. Nós estamos aqui, nós existimos e temos orgulho de ser quem somos.”


Felipe Veloso “Que a gente consiga, através da arte, transformar a sociedade numa sociedade mais igualitária, mais justa para todos.”


Daniel Batista e Junior Semeghini “Construir uma família como qualquer cidadão brasileiro é um direito que a gente tem que se orgulhar todos os dias e nunca abrir mão.”


Theo Garcia Hunold “É essencial que as pessoas parem de publicizar apenas as nossas mortes. A gente não só morre: a gente faz arte, a gente trabalha, a gente produz muita coisa bacana.”


Mariane Montana e Tatiana Weberman “É o mês do orgulho de ser quem a gente é, de amar quem a gente quiser.”

Charly Braun “Esse caminho que a gente percorreu é também um portal para que a gente entenda de uma maneira melhor o mundo e o sofrimento de tantas outras minorias.”


Renata Carvalho “Orgulhe-se de ser travesti, use a palavra travesti como qualidade, como um adjetivo qualitativo.”


Barbara Lahr Ciccone “Não se escondam jamais. Eu como mulher bissexual demorei muito para me entender, mas uma vez que me entendi eu vi que não ia poder me esconder.”


Pétala Lopes “Sinto orgulho do meu corpo, dos afetos que atravessam o meu corpo, da comunhão entre os meus amigos e dessas pessoas que me circundam e que fazem e constroem a vida junto comigo.”

Minha história não cabe em um stories

Uma resposta enviada a Gama de uma mulher que não se sentiu confortável em mandar seu recado neste mês do orgulho LGBTQI+

“Fiquei pensando em formas de passar um recado. Mas confesso que surgiram várias questões. Sinto que estamos vivendo uma época cheia de problematizações, e isso me deixa ainda mais crítica. Não consigo me identificar com a sigla. A começar, por ela achatar em um mesmo plano as orientações sexuais e os gêneros. Sinto que isso enfraquece muito a luta trans, por exemplo.

Daí vem essa questão de eu me sentir muito privilegiada. Parece que as opressões e dores que vivi por gostar de mulher acabam sendo subestimadas ou desqualificadas por eu ter tantos privilégios, por eu ser branca, por ter recursos e uma rede de esquerda que me dá suporte. Mas sabemos que não é assim na maior parte dos casos, muita gente vive o que não quer por não ter rede de apoio.

E agora estamos vivendo essa super patrulha, em que as pessoas procuram as outras para criticar, cancelar, julgar e etc. Me sinto muito à vontade para ser livre na minha rede, onde me sinto segura. Mas, fora dela, há muito receio sobre como uma mensagem de afeto pode ser recebida, distorcida e etc. Já vivi muitas experiências complexas desde que me assumi: fetichismo, violência verbal e até física. Homofobia vinda do próprio pai. Expulsão de casa. Etc. Hoje, olhando de fora, parece ser um mar de rosas multicoloridas. Eu, inclusive, reforço essa imagem… mas na pele não é bem assim.

Enfim, sinto que não conseguiria passar em um vídeo de segundos toda a complexidade que o tema pede. Esse momento de militância digital é importante, mas há muito desserviço e conflito sendo gerado constantemente. Não é um momento propício para celebrarmos, não queria ter um mês de orgulho gay, não queria nem que isso fosse uma questão. Acho que somos isso todos os minutos, em uma oscilação emocional muito íntima e delicada.

Espero que você entenda, mas não consigo fazer um recado ser algo leviano. Gosto de me envolver, colocar minha verdade, falar com o coração. E hoje ele pulsa melancólico e assustado.”